Por Arthur Muhlenberg - Postado por Abraao Na Rede
Um astuto e próspero capitalista já disse que um dos melhores negócios que podem existir no mundo especulativo é comprar um botafoguense pelo que ele realmente vale e vende-lo pelo preço que ele acha que vale. Se fosse possível, tal operação produziria uma lucratividade obscena dada a distância interplanetária entre os dois valores. Mas essa é uma negociação que deve ficar restrita ao campo das hipóteses, já que não há no mundo quem queira comprar um botafoguense, por sua absoluta inutilidade.
Reza a tradicional etiqueta rubro-negra que não devemos perder muito tempo com nossos pequenos rivais municipais cuja razão maior da existência é tentar morder os calcanhares do colosso Flamengo sem jamais verdadeiramente ameaça-lo em sua tranquila, incontestável e longeva supremacia futebolística.
Infelizmente vivemos tempos terríveis, que miseravelmente confirmam as profecias de Friedrich Nietzsche sobre o eclipse de todos os valores e o surgimento na arena do (então) futuro de irmandades nacionalistas bárbaras com o único objetivo de roubar os não-irmãos.
O filósofo de A vontade de potência e A gaia ciência olhou dois séculos à sua frente e o que viu foi uma violenta mudança de costumes e um total desprezo às tradições e ao conhecimento acumulado durante as gerações predecessoras. Ainda que não tenha feito uma menção específica às torcidas organizadas ou ao bando acéfalo de cronistas esportivos e seus métodos vândalos de motivação, o quadro que Nietzsche pintou com pinceladas fortes em suas viagens proféticas revelou uma época onde já não há espaço para a verdade e nem para a boa educação, nem mesmo no âmbito desportivo.
Tinha razão o visionário alemão pois vivemos mesmo tempos inomináveis. Alguns de nossos melhores fregueses, falo dos pouco mais de 18 abnegados torcedores da camisa sem cor, em especial aqueles que se abrigam por trás de seus crachás na crônica esportiva carioca, onde são maioria absoluta e relativa (aberração demográfica inexplicável), insistem em usar de todos os subterfúgios do beletrismo para mascarar a realidade, distorcer fatos e construir uma imagem virtual do time do Botafogo que não guarda qualquer relação com o que os 11 vagabundos fantasiados em preto & branco tem mostrado nos gramados.
Aos nossos opositores agrada dizer que a torcida do Flamengo é messiânica, sebastianista e desconectada da realidade fática, mas os rubro-negros aprendem desde criancinha que os títulos, lauréis e honrarias no futebol se conquistam apenas dentro das quatro linhas gramadas. Ainda que imerecidamente o Foguinho detém o título de campeão do estado. É mais do que evidente que devemos aproveitar o encontro que o destino marcou para domingo para recolocar as coisas em uma perspectiva mais comprometida com a realidade atual.
Não é sequer preciso lembrar que desde aquele acidente de 2010 a cachorrada incapaz não nos vence. E que na maioria dos últimos encontros conosco voltaram pra casa chorando com suas tristes bandeirinhas enroladas e escondidas sabe-se lá onde.
O Flamengo tem consciência que deve mostrar para aquela minúscula torcida e para a míope imprensa alvinegra que o Mengão Fuderosão Mata-Perros é o PentaTricampeão carioca, o Bi Campeão da Copa do Brasil, o Hexa Campeão Brasileiro, o Campeão Sul Americano e Mundial e campeão da Taça Guanabara 2010. Ou seja, é o melhor time do pedaço até prova em contrário.
Talvez você esteja achando que já leu esse texto antes. Calma, você não pirou. Permita-me uma breve explicação.
Já escrevi um bilhão de vezes aqui no nosso humilde bloguinho o quanto me enfastia o atual formato do campeonato carioca. Não é má vontade de coroa rabugento, é que realmente a competição, hoje hipertrofiada por timiculos dos mais irrelevantes, não consegue mais motivar a ninguém. A Taça Rio então, essa que é a ultima tábua de salvação dos incompetentes que não foram capazes de ganhar a Taça Guanabara, é das coisas mais chatas do esporte mundial. É só pelada.
Mas o Flamengo tem suas obrigações morais e esportivas, tem que comparecer aos jogos que a federação marca e, nem que fosse pra manter a vantagem estatística que nos mantém bem afastados dos chorosos alvinegros sem ônibus, entrar em campo com seriedade, entrar pra vencer.
Mas o Urublog não se sente obrigado a respeitar esse tipo de compromisso e diante de um jogo desimportante contra um adversário de menor porte como o Foguinho pode ficar de sacanagem. Por isso nem escrevi um post novo. Peguei um post velho, de 2007, e dei um tapa. Preguiça? Sim. Desinteresse e desrespeito ao adversário? Sim, sim. Mas pra jogar com o Botafogo já tá bom até demais.
Mengão Sempre
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