quarta-feira, 4 de maio de 2011

‘Como todos nós, Mourinho está indignado’, diz auxiliar do Real Madrid

Karanka faz mistério sobre onde o português estava durante o clássico e lembra gol mal anulado pelo árbitro no segundo tempo

Por Thiago Dias Direto de Barcelona, Espanha - Postado por Abraao Na Rede

Responsável por comandar o Real Madrid nesta terça-feira, Aitor Karanka fez mistério sobre de onde José Mourinho viu o empate de 1 a 1 com o Barcelona e afirmou que o treinador estava “indignado” com a anulação de um gol de Higuaín e a eliminação na Liga dos Campeões.

Logo no início do segundo tempo, quando o Real empatava a partida, o atacante argentino balançou a rede depois que Mascherano caiu ao tropeçar em Cristiano Ronaldo. O árbitro Frank de Bleeckere deu falta do português e anulou a jogada, revoltando os jogadores do time merengue (assista no vídeo ao lado).

- Conversamos depois do jogo e ele mandou parabéns para a equipe. E, como todos nós, está indignado – disse Karanka.

Ao ser perguntado sobre onde Mourinho estava, o auxiliar fez mistério. Segundo a imprensa espanhola, o técnico não foi ao Camp Nou e viu o jogo no hotel. Porém, ninguém do Real confirmou a informação oficialmente.

- Ele não estava no banco e não podia entrar no vestiário. Onde estava é o de menos.

Karamka lembrou ainda que Mourinho afirmou, depois da derrota por 2 a 0 no Santiago Bernabéu, quarta passada, que o Real já estava eliminado.

- Com o que vimos no Bernabéu, estava praticamente tudo resolvido. O técnico, mais uma vez, tinha razão. Disse que era impossível avançar e isso aconteceu – concluiu.

No jogo de ida, o Real reclamou bastante do cartão vermelho para Pepe, quando a partida estava 0 a 0, por uma entrada dura em Daniel Alves. Sem o luso-brasileiro, o Barça conseguiu mais espaços e venceu por 2 a 0 com dois de Lionel Messi.

Daniel Alves: 'Real não sabe perder'

Lateral brasileiro do Barcelona critica postura dos merengues, e goleiro Victor Valdés ataca a imprensa

Por Agência de notícias Barcelona, Espanha - Postado por Abraao Na Rede

Após empatar com o Real Madrid no Camp Nou em 1 a 1, resultado que garantiu a classificação do Barcelona para a final da Liga dos Campeões (assista no vídeo ao lado), o lateral Daniel Alves afirmou que os merengues não sabem perder.

- No futebol é preciso saber competir, ganhar e perder. Eles precisam saber perder - disse o brasileiro em referência às reclamações do Real Madrid sobre a arbitragem.

Já o goleiro Victor Valdés, do Barça, reclamou da postura dos jornalistas durante os confrontos.

- Foi uma semana muito dura. A imprensa falou demais - finalizou o goleiro.

O Barcelona conhecerá o adversário da final nesta quarta-feira. O Manchester United receberá o Schalke 04 com uma vantagem contruída na vitória por 2 a 0 no jogo de ida das semifinais.

O jogo dentro do gramado: o show da torcida e a apoteose de Abidal

Barcelona consegue vaga para a final da Liga dos Campeões em dia mágico para os ‘culés’ no Camp Nou. GLOBOESPORTE.COM acompanhou de perto

Por Thiago Dias Direto de Barcelona, Espanha - Postado por Abraao Na Rede

O mosaico que começou com 95 mil cartolinas coloridas virou um mar de guarda-chuvas e terminou como mãos gigantes batendo palma para Eric Abidal. A torcida do Barcelona não se importou com a forte chuva, lotou o Camp Nou e empurrou o time de Pep Guardiola para a final da Liga dos Campeões. E nem precisou de gol de Lionel Messi contra o Real Madrid: o protagonista da terça-feira foi um lateral-esquerdo que até pouco tempo atrás era mero coadjuvante entre as estrelas. Confira aqui a galeria de fotos do clássico.

Barcelona x Real Madrid (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)
O clima do clássico eterno Barcelona x Real Madrid, no Camp Nou (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)

A placa com número 22 levantou pouco antes dos 45 minutos da etapa final. O placar já mostrava 1 a 1, o Real só conseguiria a vaga por milagre (precisava de mais dois gols) e a torcida comemorava na arquibancada. Era a senha para uma celebração como a de um gol. Após sofrer cirurgia para retirada de um tumor no fígado em 22 de março, Abidal estava entrando em campo no lugar de Puyol. Ovacionado, o lateral ficou 2 minutos e 57 segundos no gramado. Quando o árbitro Frank de Bleeckere apitou o final da partida, todos os jogadores correram para comemorar com o francês, que foi jogado para o ar. Quase tocou o céu.

Mas a festa da torcida culé começou bem antes disso. Talvez, quase uma semana antes: depois da vitória por 2 a 0 no Santiago Bernabéu, até o técnico José Mourinho já dava como certa a passagem do Barça para a final do dia 28 em Wembley. Os torcedores do clube catalão acreditaram no português e lotaram o Camp Nou: 95.701 pessoas entraram no estádio, mesmo com uma chuva que caiu durante quase todos os 90 minutos.

Barcelona x Real Madrid (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)
O espetáculo proporcionado pela torcida do Barça com seu mosaico (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)

Segundo o jornal “Marca”, uma parte prejudicou o espetáculo ao imitar macaco em um lance de Marcelo e outro de Adebayor. Cenas incompatíveis com o futebol, mas feitas por uma minoria. A maioria estava ali para celebrar. Celebrar um time vencedor, um estilo de jogo e a si mesmo. Em vez de gritos xingando o rival, cantos de apoio ao seu clube. Vaias no volume máximo quando a escalação do Real apareceu no telão. Gritos de incentivo a cada nome dos atletas do Barça. Quando os jogadores entraram no gramado, a recepção de gala: “Obrigado, equipe” era a mensagem na arquibancada enfeitada com as cores do clube e da Catalunha, outro motivo de orgulho para os presentes.

Assim como no Bernabéu, a partida começou nervosa. Logo na primeira falta, o estádio inteiro reclamou. Pressão em De Bleeckere, um dos juízes citados por Mourinho como responsáveis por ajudar o Barcelona em jogos decisivos da Champions. Messi pouco parava em pé. Era pancada atrás de pancada no camisa 10 argentino. Como sempre, o Barça controlava a bola. Não a largava de jeito nenhum. O primeiro tempo terminou com 69% da posse com os donos da casa, que chutaram sete vezes ao gol contra nenhuma do rival.

Barcelona x Real Madrid (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)
David Villa sofre a marcação de Arbelo (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)

O Real estava um pouco diferente. Sem Mourinho, suspenso, no banco – e no estádio -, o auxiliar Airto Karanka dividia a beira do gramado com Guardiola. Dentro das quatro linhas, Kaká e Higuaín ganharam lugar entre os titulares. O brasileiro foi mal, apagado. O argentino protagonizou a polêmica do dia: fez um gol logo no início da etapa final, mas o juiz anulou alegando falta de Cristiano Ronaldo em Mascherano.

Pouco depois, o gol que incendiou a torcida culé. Após passe de Iniesta, Pedro ganhou de Marcelo e abriu o placar para o Barcelona. Bem na frente do GLOBOESPORTE.COM, o goleiro Victor Valdés saiu correndo em direção a Guardiola, com o dedo apontado, como quem fala “esse é para você”. Logo em seguida, Mascherano também comemorou com o treinador. Estava aberto o caminho sem volta para Wembley.

Marcelo ainda empatou a partida para o Real, mas poucos no Camp Nou se importaram com isso. Os gritos de “Olé! Olé!” aumentavam de volume e ficaram quase que constantes. A cada troca de passes do Barça, o que não costuma ser difícil, a torcida delirava como em uma tourada.

De “Olé!” em “Olé”, Guardiola deu um presente para o Camp Nou. Abidal, que não deveria voltar a jogar nesta temporada, foi para o aquecimento. Os torcedores comemoravam como um gol. Quando o camisa 22 entrou, explosão. Final perfeito para um dia mágico dos culés.

Barcelona x Real Madrid (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)
Jogadores do Barcelona comemoram o resultado e o retorno de Abidal (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Passa A Régua, Fecha a Conta. Tá Tudo no Nosso Nome.

Por Arthur Muhlenberg - Postado por Abraao Na Rede

Uma das melhores coisas da vida é ver o Mengão Fuderosão dando volta olímpica. E uma das segundas melhores é ver a mulambada malvestida ateando fogos às vestes e ameaçando nunca mais ir ao estádio. Hahahah, até parece que antes de serem nossos heptavices eles estavam indo.

Faz sentido a revolta das bigodudas, o que os mulambos da camisa feiona fizeram ontem no Vazião foi uma vergonha inominável. Que se Neném Prancha, filósofo e aforista maior do futebol pátrio, estivesse vivo diria: O pênalti é tão importante que só o Flamengo deveria bater.

Espero que ontem todos vocês tenham comemorado bastante o nosso 32o titulo do Carioca. Longe de mim querer cortar a onda de quem tá se divertindo, mas a verdade deve ser dita. Depois de amanhã ninguém mais se lembrará dessa conquista. Ninguém fora os vascaínos, lógico, que chuparão essa manga amarga durante meses a fio, enquanto amaldiçoam Dinamite, Eurico, o Marquês de Pombal e o Conde de Marialva.

E o Carioca 2011 será esquecido não porque é um campeonato tecnicamente fraco e economicamente inviável que sobrevive até hoje com esse formato acromegálico e idiota porque o Mengão, sempre ele, carrega 15 clubes, a federação, o arbitral e o tribunalzinho Playmobil de justiça desportiva nas suas costas largas. O Carioca 2011 será esquecido com brevidade porque é uma competição que perdeu a capacidade de surpreender ao público.

O Flamengo pode ser o pai, o filho e o espírito santo do futebol carioca, mas não coloquem nele a culpa pela debâcle do carioqueta. O Flamengo é o menos culpado, porque é o que mais leva a sério, aliás o único, a competição paroquial. E por isso mesmo que ano sim, ano também, quando não acontece alguma anomalia inexplicável, o Mengão está levantando a taça a fazendo a arcoirizada carioca cultivar novas úlceras.

Louve-se também a nossa bondade. No papel de faz tudo do futebol carioca o Flamengo em 2011 não apenas passou o rodo e estabeleceu parâmetros de invencibilidade que dificilmente serão alcançados pelas mulambadas locais nas próximas décadas. O Flamengo também soube ser generoso e distribuiu, com notável equanimidade, vice campeonatos a todos os primos pobres.

Teve vice da Tacinha Guanabarinha pro Boa Vista, teve vice carioca pras ineptas moçoilas do Flor e, como não podia deixar de ser, teve vice da Taça Rio pro bacalhau imundo. Só não teve vice pro Foguinho, que se comportou mal e vai ficar de castigo até o Brasileiro ouvindo as empolgantes exortações de Milhouse antes de cada casados x solteiros que se disputar em Soldado Severiano até a aurora do Campeonato Brasileiro.

Pra não dizerem que não falei no fraquíssimo Vasco, o mais fraco que já vi em toda minha vida, só digo uma coisa: se for pra jogarem mais uma final desse jeito contra o magnifico Flamengo Empalador é melhor fechar logo aquela merda e se dedicarem à compra e venda de garrafas e jornal velho. Não entendo como um time que em passado recente já foi até considerado rival do Flamengo pode se deixar submergir na irrelevância e na pequenez de maneira tão débil, sem ao menos se debater.

A torcida do Vice, que ao contrário do que sempre digo aqui, é uma torcida de tamanho considerável e uma das maiores do Brasil civilizado, ao invés de ficar nos invejando doentiamente e arrumando briga com a Magnética, deveria tocar o terror lá na pocilga de São Janú e botar a sua incompetentíssima cartolada pra capinar. Não digo isso pra ser bonzinho, digo isso porque o Flamengo precisa que sua baranga continue viva e que tenha um mínimo de competitividade, sob pena de matarmos a galinha dos ovos de ouro.

Vamos cortar a conversa fiada por aqui. O Carioca está no saco, estão todos de parabéns. Agora que não existem mais dúvidas sobre quem tem o melhor time do Estado do Rio a próxima meta do Mengão é ser declarado o melhor time do Estado do Ceará. Vamos partir pra cima das cabeçudas.

Mengão Sempre

Patricia Amorim, nova vice do clube dos 13, quer mais reforços para o Fla

Em entrevista exclusiva, presidente ressalta a necessidade de contratações e atribui ao seu passado como nadadora de fundo ao poder de reação

Por Janir Júnior Rio de Janeiro - Postado por Abraao Na Rede

Patricia Amorim teve uma noite de sono tranquila no domingo, levantou cedo da cama nesta segunda-feira para cumprir a promessa de pintar as unhas de vermelho, mas não sonha acordada. No dia seguinte à conquista do título do Campeonato Carioca, a presidente do Flamengo explicou de onde vem o poder de reação quando tudo parece estar perdido:

- Fui nadadora fundista (provas longas). Quando todo mundo está morrendo, você reage.

dudu nobre patricia amorim festa flamengo plataforma (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Patricia Amorim, ao lado do cantor Dudu Nobre, na festa do Fla (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Numa entrevista franca ao GLOBOESPORTE.COM, Patricia Amorim destacou a necessidade de novas contratações, mas diz que a torcida não deve esperar 11 Willians, 11 Léo Moura ou 11 Thiago Neves. A dirigente rasgou elogios para Vanderlei Luxemburgo, vibrou com o fato de o técnico ter aposentado os ternos e disse que o Flamengo ajudou Luxa a ser um pouco melhor.

Patricia revelou que por conta de episódio envolvendo Bruno, ficou com receio pela contratação de Felipe, que teve problemas disciplinares em outros times. Quando disse para Vanderlei que o acerto com o novo camisa 1 estava na sua conta, ela presenciou a transformação do treinador.

A dirigente admitiu que, em caso de aperto, poderá negociar jogadores que são patrimônio do clube, mas garante que no momento isso não é necessário. Durante a entrevista, ela recebeu uma mensagem de texto através do Iphone. Era o seu vice geral, Hélio Ferraz, comunicando que ela seria a vice-presidente do Clube dos 13 no lugar de Juvenal Juvêncio.

- Nem sei o que responder. Isso é bom ou ruim? Só sei que eu o trabalho me persegue.

Confira os principais trechos da entrevista.

Dia seguinte ao título

- Dormi muito bem. Às 9h, já estava no salão para pintar as unhas de vermelho, foi uma promessa que cumpro sempre que o Flamengo conquista um título. Só uso esmalte transparente, mas vou ficar duas semanas com essa cor, pois foi Taça Rio e Estadual. O Flamengo era o não-favorito contra Botafogo, Fluminense e Vasco. E estávamos invictos. Eu dizia: acho que não entendo nada.

Nova era do Flamengo

- O título ajuda bastante, mas começamos com o conceito desde o ano passado. Agora, as coisas estão funcionando. Temos um patrimônio em jogadores que são nossos. No ano passado, o Diego Maurício valia 1 milhão de dólares, agora vale 6, 7 milhões de euros, como o Galhardo, Lorran. Não temos medo de ter problemas financeiros. Todos os jogadores são nossos. Adryan, Lorran, Diego Maurício, Muralha, César são patrimônios do Flamengo, temos os direitos econômicos e federativos. Sem contar que compramos 100% do David Braz, Welinton, e não vendemos nada. Se tiver uma situação financeira complicada, podemos... Na sexta-feira, dia 28, os salários dos funcionários foram pagos adiantados.

Patrocínio

- Temos uma propriedade que tem um valor. As marcas têm que estar à altura do manto sagrado. Podemos nos dar ao luxo de ter esta atitude. O título ajudou até nisso. Se eles (patrocinadores) estavam desconfortáveis, a gente enche o peito e diz: "Nós ganhamos, vocês ficaram de fora". O Flamengo é um clube de competição, vive de vitórias. Agora vamos rumo ao futuro.

Elenco

- Tenho muito os pés no chão. Temos que saber a qualidade do nosso grupo, do elenco. Times de São Paulo, e o Cruzeiro, estão muito bem. Por isso, vemos a necessidade de nos reforçar, pelos adversários que teremos ao longo da temporada. Nossos adversários não são apenas os do Rio. Estes nós conseguimos vencer. Temos um Brasil pela frente. Mas a torcida precisa ter a percepção que não vamos ter onze Willians, onze Thiago Neves, onze Léo Moura, onze Ronaldinho... No fim, a conta tem de fechar.

Petkovic

- Estamos num processo de encerramento da carreira dele. Tudo está sendo muito bem conduzido, com calma e sensibilidade. Ele está satisfeito, nós também.

Vanderlei Luxemburgo

- Ele cobra muito dos jogadores, da comissão técnica, da diretoria. A cobrança dele é um desafio, pois é um treinador que tem cinco títulos brasileiros, é do mercado, é Flamengo, e tem competência. A coisa dele tirar o terno é fantástica. A gente também conseguiu transformá-lo num treinador melhor. Admiro muito o Vanderlei, ele é franco, fala palavrão comigo, fala o que sente. Quando ele se solta, fica aliviado. A reunião para contratá-lo durou seis horas. Ele não me cansa, eu não o canso. O Vanderlei quer acertar e sabe o que está fazendo. Ele me escuta. Já vi entrevistas dele em que usa a mesma expressão que usei. Penso: "Ele me ouviu mesmo". Ele desabafa muito comigo, reclamou que as camas do CT ainda não tinham chegado. Quando está pronto, digo: "Você não elogiou". Ele responde: "Ficou bom, bom".

Contratação de Felipe

- O crédito é todo do Vanderlei. Não tinha nada contra o jogador, mas continuava o trauma com a situação do Bruno. Vanderlei dizia: "Eu entendo, mas isso não tem a ver com o futebol. Tem de se livrar dessa coisa". Aí ele bancou o Felipe. No telefone, brincando, eu soltei alguma coisa do tipo: "Ó, está fechado. Essa está na sua conta." Ele ficou louco, brabo, largou tudo e apareceu na Gávea com aquele olho arregalado, dizendo que tinha de falar, que não estava aguentando. Aí ficamos a tarde inteira. Ele disse que temos de usar o nós.

Reuniões e Patricia "zen"

- No Flamengo, a gente conversa até 2h da manhã, quebra um pau danado, de vez em quando as pessoas têm comportamento de torcedores. Os resultados mostram que funciona, todos falando o que pensam, mas sem expor o Flamengo. Tenho paciência para escutar. As reuniões são acaloradas, até para decidir sobre o coral é polêmico. Tudo é tenso, enorme. Todo mundo grita. Deveria ser psicóloga, psiquiatra, e não formada em Educação Física. Passo por isso sempre muito serena. Quando eu nadava, era fundista. Quando todo mundo está morrendo, você reage. Eu aguento reuniões intermináveis, os conselheiros. O Vanderlei fala que quem foi atleta convive com pressão, consegue aguentar pressão de uma forma diferente. Não me deslumbro com nada.

Flamengo

- Comandar o Flamengo é muito complicado. Um parecer sobre uma contratação passa por várias aprovações, ou não, é preciso um consenso. É difícil, pois você consegue estudar e trabalhar administrando o racional, mas administrar paixão é uma loucura completa, pois todo mundo é técnico de futebol, todos entendem de política, todos sabem de tudo. O cara é voluntário, dirigente, conselheiro, e se acha dono do clube. Ouço coisas como "Ah, quero ir ao vestiário". Mas vestiário é um lugar sagrado. "Ah, fala com Luxemburgo que tem de trazer um lateral". É difícil administrar isso tudo.

Inteligência emocional e vaidade

- No futebol, as vaidades são exacerbadas. Todos chegam dizendo que na empresa faz assim, que tem experiência, mas o futebol é o imponderável, não tem lógica. É uma das poucas modalidades ou atividades que o lanterna pode ganhar do líder. O cara está bem condicionado e às vezes tropeça na grama. Consegui, com inteligência emocional , arrumar todas as áreas. Ser mulher, e não ser do mundo do futebol, ajudou. Você sendo do futebol conhece um empresário, ou foi dirigente quando o cara era jogador e agora é empresário. As relações interferem na negociação. Quero fazer o melhor para o Flamengo, que não tem mais dono.

Léo Moura: 'São momentos que ficam pelo resto da vida'

Fora de uma decisão pela primeira vez desde que chegou ao Fla em 2005, jogador faz um depoimento emocionado do seu dia de torcedor

Por Janir Júnior Rio de Janeiro - Postado por Abraao Na Rede

leo moura ronaldinho gaucho flamengo troféu vestiário (Foto: Divulgação)
Léo moura e Ronaldinho com o troféu no vestiário

(Foto: Divulgação)

A primeira vez a gente nunca esquece. Seja pelo lado bom ou ruim. Leonardo Moura, 32 anos, chegou ao Flamengo em 2005 sem nunca ter conquistado um título na carreira. No ano seguinte, o lateral-direito levantou sua primeira taça, justamente sobre o Vasco, na Copa do Brasil. No último domingo, o jogador completou 11 títulos pelo Rubro-Negro. Pela primeira vez, ele ficou fora de uma final com a camisa rubro-negra de número 2.

Além da Copa do Brasil em 2006, Léo Moura levantou um troféu do Campeonato Brasileiro, três Campeonatos Carioca, três Taças Guanabara e uma Taça Rio. Com a vitória sobre o Vasco no último domingo, ele somou mais uma Taça Rio e outro Carioca no currículo.

A pedido do GLOBOESPORTE.COM, o lateral-direito fez um relato emocionado da sua primeira decisão fora das quatro linhas, como um torcedor comum que sofre, vibra e no final é coroado.

"No domingo pela manhã, acordei um pouco mais cedo que o habitual. Logo veio o pensamento que eu não iria jogar essa decisão contra Vasco. Ao pensar que estava fora, fiquei triste. O time estava prestes a ser campeão sem ter perdido um único jogo. E eu não estaria em campo.

Um pouco antes de 10h30m, já estava no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, que também serve como nossa concentração. Fui fazer fisioterapia no meu joelho direito. Comecei a perceber a movimentação em torno da final e passou um filme na minha cabeça. Eu estava ali, e ao mesmo tempo não estava.

Léo Moura dá força aos companheiros na concentração do Flamengo (Foto: Eduardo Peixoto / Globoesporte.com)
O lateral deu força aos companheiros na concentração do Fla (Foto: Eduardo Peixoto / Globoesporte.com)

Os jogadores começaram a acordar, encontrei com alguns amigos que me perguntaram se eu estava melhor. Na hora do almoço, sentei na mesma mesa e grupo de sempre, com Thiago Neves, Jean, Welinton e Egídio. Mesmo sabendo que não iria jogar, bateu o nervosismo. Não consegui almoçar direito, comi muito pouco. Começamos a conversar sobre o jogo, imaginando como seria se fôssemos campeões.

Quando todos terminaram a refeição, os jogadores foram repousar nos quartos, enquanto fiquei no saguão do hotel. Olhava para um lado. Olhava pro outro. O clima da final estava no ar. Começou a me dar um frio na barriga. Minha mão suava.

Eu já estava disposto a participar da preleção, mas foi uma grande emoção, um momento que não sai da minha cabeça, quando olhei através do vidro de uma sala e o Vanderlei (Luxemburgo) me chamou para participar da conversa. Ele citou o caminho que o grupo percorreu até chegar ali, lembrou dos percalços e disse uma coisa que mexeu: na falta de um campeão, de um jogador que não pode estar ali, outro aparece. Ele disse que esse título seria de todos do grupo; dos que iriam pro jogo, e dos que estavam fora por lesão, que foi o meu caso, do Maldonado, do Vander. Foi um momento emocionante. Escutar isso de um treinador do porte do Vanderlei mostrou que o time estava forte para a final. Isso retratou o ambiente família.

Léo Moura Flamengo (Foto: Wagner Meier /  Globoesporte.com)
Léo Moura e a filha 'dividem' a faixa de campeão carioca (Foto: Wagner Meier / Globoesporte.com)

Se aproximava a hora do jogo. O clima esquentava. Fui até o lado de fora do hotel e comentei com o motorista do ônibus do Flamengo que eu seguiria a comitiva, bem colado a eles. No meu carro, junto comigo foram minha mulher, minha mãe e outros familiares. No percurso, bem próximo ao ônibus, comecei a escutar o ‘buzinaço’. Quando você está dentro do Urubuzão, por causa do ar-condicionado e da música, não sabemos o que se passa lá fora. No meu carro, fiz questão de baixar o vidro e respirei os ares da decisão: torcedores na rua saudando a equipe, muitos vestidos com o manto, uma festa.

Na chegada ao Engenhão, passamos no meio da torcida do Vasco. Foi um momento de tensão e nervosismo. Assim que entramos no estádio a expectativa se multiplicou. Assisti ao jogo com a minha mulher no mesmo camarote onde estava a família do Ronaldinho. O filho dele, a mãe...

Comecei a me imaginar entrando em campo. A mão continuava a suar. Já sou um pouco ansioso, tenho costume de balançar as pernas, mas isso só aumentou. O time posou para a foto, eu não estava lá.

Com o jogo em andamento, quase gritei gol quando o Bottinelli perdeu uma chance no primeiro tempo. O Vasco chegou algumas vezes, mas nada que preocupasse. Quando o juiz apitou o final da partida em 0 a 0, pensei: "Não vou assistir os pênaltis, é muito para o meu coração". Decidi descer para o vestiário. Quando cheguei, Willians, que tinha sido expulso, estava lá também. Nós tivemos que assistir numa brechinha entre as grades, onde mal víamos o telão. Acho que só vi um ou dois pênaltis. Me guiei pela comemoração da torcida. Quando o grito era maior, sabia que era nosso.

Léo Moura Flamengo (Foto: Wagner Meier /  Globoesporte.com)
Mesmo fora da final, Léo Moura foi figura de realce em mais uma conquista do rubro-Negro

(Foto: Wagner Meier / Globoesporte.com)

Foi duro. Quando o Thiago Neves marcou o pênalti que garantiu o título, invadi o gramado e até esqueci que estava machucado (Léo Moura se recupera de uma pancada no joelho direito sofrida no FlaxFlu na semifinal da Taça Rio, e que o tirou do jogo contra o Horizonte e da decisão com o Vasco). Depois da comemoração, o joelho até doeu um pouco.

Comemorei, dancei o Bonde sem Freio, peguei minha faixa de campeão, e me emocionei com a torcida gritando o meu nome mesmo sem eu ter jogado. No vestiário, tirei uma foto: eu, Ronaldinho e a Taça Rio. Um momento marcante. Depois da partida, fui festejar com a minha família. São momentos que ficam para o resto da vida.”

Sem Mourinho no banco, Real quer classificação para dedicar ao técnico

Auxiliar afirma que não tem importância local onde o treinador verá o jogo. Benzema defende esquema usado na derrota para o Barça no Bernabéu

Por Thiago Dias Direto de Barcelona, Espanha - Postado por Abraao Na Rede

aitor karanka coletiva real madrid (Foto: AFP)
Karanka quer dedicar vaga a Mourinho (Foto: AFP)

O treinador José Mourinho terá que ficar bem longe dos jogadores do Real Madrid na terça-feira durante a partida com o Barcelona no Camp Nou. Expulso no jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões, o português não poderá se comunicar com ninguém da comissão técnica e terá que torcer de longe. Responsável por comandar o time na ausência do chefe, o auxiliar Aitor Karanka afirmou que a equipe buscará a vitória e a classificação para a final como forma de homenagem ao técnico.

– Ele está triste por não poder estar com o time no jogo. Ir para a final da Champions é algo importante e devemos dedicar o jogo a ele, por tudo que fez para o time tentar chegar à decisão – disse Karanka.

Mourinho foi expulso pelo árbitro alemão Wolfgang Stark no segundo tempo da derrota de 2 a 0 para o Barça, quarta passada, logo depois que Pepe levou cartão vermelho por uma entrada dura em Daniel Alves. O treinador ficou irritado com a punição, ironizou a decisão do juiz e também teve que deixar o campo, vendo o restante da partida sentado no primeiro degrau das arquibancadas do Bernabéu.

Suspenso do confronto no Camp Nou, Mourinho nem participou da entrevista coletiva da véspera da semifinal desta terça e mandou Karanka em seu lugar. O auxiliar manteve o discurso polêmico do treinador e criticou duramente a decisão da Uefa de não punir os jogadores do Barça após uma reclamação do Real sobre “antijogo”, como simulações de faltas e ofensas racistas. Segundo a imprensa espanhola, o português ainda não sabe onde ficará no Camp Nou durante a partida.

– O local que ele ficará não tem importância, assim como não há problema em não ter comunicação com ele – afirmou Karanka, que comandou o Real duas vezes no banco de reservas nesta temporada e conseguiu duas vitórias, contra Sporting Gijón (Campeonato Espanhol) e Auxerre (Champions).

Benzema defende esquema ‘defensivo’

Reserva no jogo de ida, Benzema deve ser titular na partida decisiva e também saiu em defesa do técnico do Real. O francês lembrou que o clube conquistou a Copa do Rei sob o comando do português e que está na semifinal da Liga dos Campeões. O atacante também evitou aumentar a polêmica sobre as declarações de Cristiano Ronaldo, que reclamou do esquema defensivo do time merengue em casa.

– Eu me adapto a qualquer esquema, assim como Cristiano. Ele é um grande jogador e depois da partida com o Barça falou como um jogador normal. Agora, ele sabe que terça é um grande jogo e que precisamos de um grande Cristiano Ronaldo – concluiu o francês.

Atrás de mais recordes, Messi lidera Barça em jogo decisivo contra o Real

Terceiro maior artilheiro da história do clube catalão, argentino ignora duelo entre treinadores e é a estrela da semifinal da Champions. Assista ao vivo

Por Thiago Dias e Victor Canedo Barcelona e Rio de Janeiro - Postado por Abraao Na Rede

Messi comemora gol do Barcelona contra o Real Madrid (Foto: Reuters)
Messi, incrivelmente decisivo no confronto de ida

da semifinal: atenções de volta ao futebol (Reuters)

Cerca de 95 mil pessoas irão ao Camp Nou nesta terça-feira com uma esperança: ver mais um show de Lionel Messi. Autor dos dois gols da vitória do Barcelona sobre o Real Madrid na última quarta, o craque argentino se especializou em quebrar recordes e é o principal responsável por ter deixado o time de Pep Guardiola bem perto da final da Liga dos Campeões.

Com o resultado no Santiago Bernabéu, o Barça pode até perder por um gol de diferença que se garante na decisão do dia 28 em Wembley contra o vencedor do confronto entre Manchester United e Schalke, que se enfrentam na quarta (na ida, os ingleses fizeram 2 a 0). A partida decisiva entre Barcelona e Real Madrid começa às 15h45m (de Brasília) ao vivo na TV Globo e no GLOBOESPORTE.COM, que inicia a transmissão a partir das 15h, com apresentação de Alex Escobar.

Se repetir o feito do Bernabéu nesta terça, quando se tornou o terceiro maior artilheiro da história do clube catalão ao marcar duas vezes, Messi chegará a 100 gols no Camp Nou. No total pelo Barça, o argentino soma 179 – com apenas 23 anos –, atrás de César (235) e Kubala (196) (contando amistosos, o recordista é o filipino Paulino Alcântara, que balançou as redes impressionantes 357 vezes em 357 partidas entre 1912 e 1927).

Só nesta temporada, Messi marcou 52 gols em 51 partidas, um recorde entre jogadores de times espanhóis. O camisa 10 é o artilheiro do Espanhol (31) e da Champions (11) e também da Copa do Rei (7), ao lado de Cristiano Ronaldo. O maior goleador de uma edição da Liga dos Campeões é o holandês Rudd van Nistelrooy, que fez 12 em 2002/2003. Outra marca que o argentino pode bater se for à final deste ano é o recorde do brasileiro Jardel. Em 2001/2002, o ex-gremista marcou 55 vezes pelo Sporting e se fixou como maior artilheiro de uma temporada na Europa.

– Com apenas 23 anos já é o terceiro maior artilheiro de um clube centenário. Isso quer dizer algo. É uma situação para refletirmos. Ele tem 52 gols em 50 jogos... É uma barbaridade – disse Guardiola, após a vitória no Bernabéu, antes de colocar o argentino para enfrentar o Real Sociedad no último sábado.

Futebol, enfim, é prioridade no Real

cristiano ronaldo real madrid treino (Foto: agência Reuters)
Cristiano Ronaldo cabisbaixo em treino do Real na

última segunda: esperança para virada (Reuters)

O show de Messi em Madri, com direito a gol de placa para fechar o placar, fez o futebol voltar a ser o assunto principal da semifinal. Antes do jogo, Mourinho e Guardiola trocaram acusações pelos microfones e deixaram o clima tenso para o clássico. Tão tenso que o jogo no Bernabéu foi marcado por discussões e o cartão vermelho de Pepe, antes de o argentino decidir a partida.

O árbitro alemão Wolfgang Stark apitou o final do confronto, mas a partida não acabou. Mourinho, que foi expulso por reclamar da punição a Pepe, usou a imprensa para acusar o Barça de ser favorecido pela Uefa. Os clubes então passaram a brigar entre advogados: o time catalão entrou com uma ação contra o Real e Mourinho pelas declarações, enquanto o Real entrou com uma ação contra o Barcelona e seus jogadores por atitudes antiesportivas, como a suspeita de racismo de Busquets contra Marcelo. Nenhum processo foi levado adiante pela Uefa.

Assim, o português não poderá dirigir o Real do banco e nem fazer contato com o auxiliar Airto Karanka, que ficará à beira do gramado. Sergio Ramos e Pepe, suspensos, são os desfalques. Criticado pelo esquema defensivo em casa, Mourinho deverá escalar Benzema ou Adebayor no ataque ao lado de Cristiano Ronaldo e Di Maria, com Özil um pouco mais recuado. Marcelo será titular, mas Kaká ficará novamente na reserva.

Abidal e Iniesta voltam no Barça

No Barça, Guardiola surpreendeu ao relacionar Abidal, que passou por uma cirurgia para retirada de tumor no fígado em 22 de março. O técnico estava sem ninguém para a lateral esquerda, já que os brasileiros Adriano e Maxwell estão machucados. Puyol deve continuar improvisado na posição. Outra novidade é o retorno de Iniesta, recuperado de lesão e pronto para entrar em campo.

A torcida do Barça promete uma festa inesquecível para o time no Camp Nou. Um mosaico gigante, com 95 mil peças, será montado na arquibancada com a frase “Obrigado, equipe”. Perguntado se o clube ainda deve uma Champions aos torcedores, Guardiola brincou:

– Não devemos mais nada depois de tantos títulos – disse, rindo, o treinador.

A missão do Real é difícil, mas não impossível. O time merengue conseguiu vencer o Barça por dois gols ou mais dez vezes no Camp Nou, incluindo a semifinal da Champions de 2002. Porém, o Barça está há 50 jogos sem perder por uma diferença maior que dois gols.

– Todos sabem que o resultado é difícil de ser conseguido, mas isso é futebol. Podemos ganhar e vamos fazer muita força para vencer. Estamos a 90 minutos de uma final e vamos lutar para ganhar este jogo – afirmou Benzema.

UM FLAMENGO ESTRUTURADO

Luxa anuncia 'era da estrutura' no Fla, e destaca futebol de resultado

Por Globo Esporte.com - Postado por Abraao Na Rede


Treinador anuncia divórcio definitivo com a Gávea e diz que, no Brasil, só Santos e Cruzeiro podem jogar bonito
O título invicto deste ano apaga as frustrações que Vanderlei Luxemburgo viveu na Gávea em 1991 e 1995, mas não deixa o treinador imune a críticas. Sem derrotas, o Flamengo assume status de campeão incontestável. Mas o desempenho da equipe ainda está longe de ser unanimidade. Em concorrida entrevista coletiva nesta segunda, no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, numa área com o sugestivo nome de salão Imperial, o treinador se mostrou aliviado com a conquista. Sabe que, pelos reforços contratados, havia a cobrança por um futebol mais encantador. Mas a pressão pelo título era maior.
- Futebol bonito só quem pode jogar é o Santos, que todo mundo gosta, de magia. Outro é o Cruzeiro, que está há sete anos junto. O Flamengo tem que fazer um futebol de resultados, pois se isso não acontecer, vem muita porrada. Numa sequência, podemos dar espetáculo.
O modelito de Vanderlei chamou a atenção: camisa social, calça jeans, e sandália de borracha. Assim como o futebol do time, pode não parecer muito bonito. Mas o pisante era da badalada marca Prada. Quando falta beleza, vai na grife mesmo.
- O Flamengo não teve atuações brilhantes, mas foi um time equilibrado, consistente, sabendo como jogar com adversários fortes. As coisas acontecem com planejamento. Começamos a ganhar o Carioca quando eliminamos os dois jogos de volta pela Copa do Brasil (Murici e Fortaleza). Agora, com o título carioca, vamos ter dois fins de semana livres. Esse título foi muito importante, um marco na história do Flamengo, que se divorciou da Gávea para ficar no Ninho do Urubu. Já criamos uma pequena estrutura para o atleta trabalhar, ter onde tomar café da manhã, descansar. É preciso ter uma relação profissional, com estrutura e ordenados em dia. Começa a era da estrutura, do profissionalismo.
Horas depois de o Flamengo conquistar o título, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou a morte de Osama bin Laden. A notícia tomou conta do noticiário mundial, mas Luxemburgo estava com a cabeça longe. Para ele, a taça rubro-negra era a única coisa relevante.
- Importante para mim que sou flamenguista é a conquista do título. Osama era procurado, causou muitas mortes no mundo, assim como o Saddam Hussein. Independentemente da concorrência de espaço na mídia, não sei se matar é maneira de recuperar alguma coisa - afirmou Vanderlei, que também garantiu seu espaço no noiticiário:
- Todo mundo queria falar comigo, então marquei coletiva para atender todos e depois aproveitar com a família.

Confira os principais tópicos da entrevista:

Adriano

Nas outras vezes em que estive aqui, briguei muito. E um profissional tem que brigar mesmo por melhores condições de trabalho. Na época, estava tudo atrasado, prêmio, salário, não tinha bola para treinar. Ainda contava com o Romário e o clube não pode nunca depender da boa vontade do jogador. Precisa ter sua estrutura para não ficar refém. Ele tem que trabalhar e ser cobrado por isso. Não contratar o Adriano foi uma decisão muito dura, mas tenho uma linha de conduta profissional. Em 1995, com o Kléber Leite na presidência, disse que o Flamengo não ficaria órfão do Romário. Dizem que o Adriano é excelente pessoa, não o conheço, mas o seu passado aqui, com fatos concretos, não cabia. O Flamengo não vai ficar órfão de um jogador novamente, como não vai ficar do Ronaldinho. O Flamengo é que a razão de ser.

A importância do goleiro Felipe

Precisava de um goleiro e o Felipe se encaixava. O goleiro de um time tem que ter a bola do jogo. Ele tinha uma história boa no Corinthians, mas existia resistência da Patrícia e do Michel (Levy, vice de finanças). Mas quem define é a comissão técnica. Expliquei que, para o projeto, era importante começar com um grande goleiro. O Flamengo está sendo bom para ele e ele está sendo bom para o Flamengo.

Thiago Neves

Ainda falta alguma coisa. No Fluminense, ele era muito mais agudo, chegava com mais frequência na cara do gol. Em função do estilo, ele precisa se ajustar ainda um pouco na marcação e chegar mais na frente.

Expectativa sobre Ronaldinho Gaúcho

Quando o Flamengo contratou o Ronaldinho Gaúcho, acharam que a gente teria o maior time do mundo. Isso leva tempo. Uns se adaptam mais rápido do que os outros. O ser humano é movido sempre por alguma situação. Se tiver um objetivo na vida, vai chegar. O Flamengo precisa dar condição para que ele busque isso.

Erros do Vasco nos pênaltis

O mais importante não é o batedor. Muitos títulos que foram conquistados assim mostram que os grandes cobradores perdem. O Zico perdeu (Copa de 1986). O segredo é o goleiro. Dida, Bruno e Felipe são grandes pegadores, inibem o adversário, que tentam tirar um pouco mais, pois se bobear perde. Isso dificulta e faz com que ele o jogador chute para fora.

Flu como exemplo

Um campeão se constrói nas derrotas. Aquela sequência de vitórias do Fluminense para evitar o rebaixamento em 2009 deu um amadurecimento muito grande para eles poderem ser campeões no ano seguinte. O Flamengo passou um pouco por isso ano passado e já deu uma resposta.

Críticas

Convivo muito bem com isso. A opinião externa tem interesses diferentes. Passei um tempo me preparando para entender como isso funciona. Existe uma competição entre analistas e técnicos, discutindo se eu acertei ou não. Existe um técnico dentro de campo, com uma responsabilidade, e outros fora que têm um compromisso com seus ouvintes e leitores. Acho graça em uns, outros, não. O que precisa prevalecer é o seu pensamento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jornais espanhóis destacam conquista do ‘Fla de Ronaldinho’

‘Mundo Deportivo’, da Catalunha, e ‘Marca’, de Madri, dão espaço para notícia sobre título estadual do ex-jogador do Barcelona

Por Thiago Dias Direto de Barcelona, Espanha - Postado por Abraao Na Rede

Jornais espanhóis destacam título do Flamengo de Ronaldinho (Foto: Thiago Dias/Globoesporte.com)
O 'Marca' também destaca a briga entre as torcidas

antes do jogo (Foto:Thiago Dias/Globoesporte.com)

Dois jornais esportivos da Espanha deram destaque nesta segunda-feira ao título carioca conquistado pelo Flamengo no domingo. Apesar de a partida com o Vasco ter terminado quase à 0h (horário local), o “Marca”, de Madri, e o “Mundo Deportivo”, da Catalunha, publicaram a notícia sobre a taça levantada por Ronaldinho Gaúcho no Brasil.

O título da matéria do “Marca” diz “Fla de Ronaldinho, novo campeão carioca”, mas o texto fala mais sobre a briga de torcedores que resultou em um morto e mais de 100 feridos.

No “Mundo Deportivo”, que seguiu de perto os passes do camisa 10 quando ele atuava pelo Barcelona, usa a manchete “Ronaldinho, campeão do estado do Rio”. A reportagem dá mais destaque ao craque, mas comete um erro ao dizer que o goleiro Felipe pegou um dos pênaltis do Vasco, quando na verdade o clube cruzmaltino chutou três vezes para fora.

Jornais espanhóis destacam título do Flamengo de Ronaldinho (Foto: Thiago Dias/Globoesporte.com)
O 'Mundo Deportivo' errou ao afirmar que Felipe defendeu um pênalti (Foto: Thiago Dias/Globoesporte.com)

Depois de empate de 0 a 0 nos 90 minutos, o Flamengo bateu o rival por 3 a 1 na decisão de pênaltis da final da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca. Como já havia vencido a Taça Guanabara, o time rubro-negro conquistou o título estadual pela 32a vez na história.