quinta-feira, 7 de abril de 2011

A difícil arte de se tornar um sobrevivente na base do Flamengo

Time vai entrar em campo domingo, contra o Botafogo, com apenas um titular revelado pelo clube: Welinton

Por IG Esportes - Postado por Abraao Na Rede

A expressão “Craque o Flamengo faz em casa”, criada por causa da geração supercampeã dos anos 80, virou uma pressão a mais sobre os jovens que tentam iniciar suas carreiras no, ainda, rudimentar centro de treinamento do clube, o Ninho do Urubu. A dificuldade para se firmar no time principal é grande. Prova disso é que, domingo, às 18h30, contra o Botafogo, no Engenhão, apenas um jogador escalado no time titular tem origem no clube: o zagueiro Welinton, de 21 anos, que
assumiu a vaga no fim do ano passado com a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo.

Welinton é o sobrevivente da geração nascida em 1989, que teve nomes como Paulo Sérgio, do Estoril-POR, Renan Silva, do Olaria, e Erick Flores, do Boavista, como promessas que não vingaram no Flamengo. E tem sido assim nos últimos anos, com um expoente por vez, mas na maioria sem o sucesso esperado.

De 1990, por exemplo, duas boas apostas ainda não conseguiram vingar. O zagueiro Fabrício saiu reclamando da falta de oportunidades, tentou a sorte no Palmeiras e amarga a reserva no Cruzeiro.
O atacante Bruno Paulo também acertou com o Palmeiras, passou pelo Vasco e agora foi para o Bahia. Das safras mais recentes, apenas Renato Augusto, de 1988, que joga no Bayer Leverkusen, da Alemanha, conseguiu chegar à seleção brasileira.

“Sou muito grato ao Flamengo por ter me dado a chance de iniciar a carreira e de estar na Europa defendendo um grande clube. Posso falar para quem está subindo que é preciso ter muita dedicação e também não desperdiçar as oportunidades quando elas surgirem”, disse Renato Augusto, campeão da Copa do Brasil de 2006.

Mas nem todos conseguem
aproveitar as chances que recebem. Vinícius Pacheco, de 1985, já fez uma série de jogos, inclusive, como titular do time, mas sempre acabava perambulando por clubes do país e do exterior, emprestado por uma temporada. Agora, com a camisa do Grêmio, espera provar o seu valor, o que não aconteceu no Flamengo.

“É difícil achar uma explicação concreta. Em 2010, por exemplo, tive um início de temporada maravilhoso. Estava feliz, tendo o reconhecimento de todos, mas depois o time não conseguiu chegar aos títulos e tudo mudou”, explicou Vinícius.

Este ano, Luxemburgo tem procurado utilizar jogadores das categorias
de base à procura de talentos para encorpar o elenco. Atualmente, ele conta com o goleiro Paulo Victor (nascido em 1987), já que Marcelo Lomba apenas mantém a forma à espera de um empréstimo, o lateral-direito Rafael Galhardo (1991), o lateral-esquerdo Egídio (1986), os volantes Muralha (1993) e Lorran (1993) e os atacantes Negueba (1992) e Diego Maurício (1991), além do zagueiro Welinton.

“Eu tive a chance de subir em 2009, quando o time conquistou o título brasileiro, e convivi com jogadores experientes que ajudaram a me tranquilizar, mesmo quando não havia espaço no time. No ano passado, depois
de um tempo fora do time, recebi a chance do treinador e consegui me firmar. Hoje, eu me sinto mais preparado, mas sei que não é fácil fazer essa transição da base para o profissional”, comentou Welinton, que completa 70 jogos com a camisa do clube no clássico com o Botafogo.

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